Com o avanço rápido da tecnologia, tem muita coisa que a gente só via em filme de ficção científica e que hoje já faz parte do nosso dia a dia.
Mas, ao mesmo tempo em que surgem novas profissões, outras que eram supercomuns acabam ficando pra trás e desaparecem com o tempo.
Eu preparei uma lista para relembrarmos alguns desses empregos que deixaram de existir — e é curioso ver como tarefas que já foram feitas por pessoas hoje são totalmente automatizadas ou simplesmente não fazem mais sentido.
Algumas dessas profissões parecem até mentira, de tão distantes da nossa realidade atual. Difícil acreditar que um dia alguém realmente fazia aquilo como trabalho.
E aí fica a pergunta: será que os empregos que temos hoje também vão sumir nos próximos anos? Quem sabe o que as próximas gerações vão achar das profissões que hoje parecem “garantidas”, né?
1. Leitor

No passado, as fábricas frequentemente empregavam indivíduos conhecidos como “leitores” para ler histórias em voz alta, proporcionando entretenimento e uma pausa na monotonia do trabalho.
Essa prática surgiu pela primeira vez na década de 1860 nas fábricas de charutos cubanas. Nos Estados Unidos, o costume era comum nas fábricas de charutos de Ybor City, em Tampa, mas foi descontinuado após a greve dos fabricantes de charutos de Ybor City em 1931.

Uma vez escolhidos, os leitores liam uma combinação de notícias e literatura que atraíam a força de trabalho, proporcionando entretenimento e informação.
Essa tradição ajudou a quebrar a monotonia do trabalho na fábrica, tornando o ambiente mais envolvente e intelectualmente estimulante para os funcionários.
2. Pregoeiro

Antes que a alfabetização se tornasse comum, os pregoeiros — conhecidos em inglês como town criers — eram a principal fonte de informação pública em muitas comunidades. Eles tinham a missão de levar anúncios importantes para pessoas que não sabiam ler ou escrever.
Esses pregoeiros, muitas vezes chamados de carregadores de sinos, tocavam o sino para atrair a atenção das pessoas e anunciavam proclamações, leis locais, datas de mercado e até eventos especiais.
Na Roma Antiga, por exemplo, era comum que eles transmitissem informações públicas durante os dias de mercado — que aconteciam a cada oito dias — criando uma espécie de “fim de semana” primitivo.
Mas em alguns lugares, suas funções iam muito além de fazer anúncios. Em Goslar, na Alemanha, um pregoeiro percorria as ruas para lembrar os moradores de não poluírem o rio, pois no dia seguinte a água seria coletada para a produção da cerveja local — uma responsabilidade essencial na época.
Apesar de o papel do pregoeiro ter se tornado obsoleto com o tempo, sua figura ainda sobrevive em desfiles, eventos históricos e até em competições de pregoeiros, onde participantes são avaliados pela clareza da fala, volume da voz e presença de palco. Uma tradição antiga que, de certa forma, ainda ecoa nos tempos modernos.
3. Acendedor de lampiões

Outra profissão que atingiu seu auge no século XIX, mas que ainda pode ser observada hoje, é a de acendedor de lâmpadas.
Nas áreas urbanas, durante esse período, os acendedores de lampiões faziam suas rondas ao anoitecer, usando um longo bastão com pavio para acender os postes de luz.
Ao amanhecer, eles retornavam para apagar as luzes com um pequeno gancho preso ao mesmo poste. Suas responsabilidades também incluíam carregar uma escada para substituir velas, reabastecer óleo ou renovar mantas de gás.

Em algumas comunidades, os acendedores de lampiões assumiam um papel semelhante ao de um vigia da cidade, proporcionando uma sensação de segurança, enquanto em outras, o trabalho era considerado mais uma posição cerimonial.
Embora a iluminação artificial tenha desaparecido em grande parte nos tempos modernos, algumas cidades continuam a prática, principalmente como atração turística, para preservar um senso de charme histórico.
4. Armador de pinos

Antes do advento das máquinas de ajuste de pinos automatizadas nas pistas de boliche, a reposição dos pinos após cada volta era tarefa de um ajustador de pinos, muitas vezes chamado de “pin boy”.
O ex-jogador de boliche Paul Retseck certa vez compartilhou sua experiência com a Scientific American, explicando que a função exigia velocidade e eficiência:
“Você realmente tinha que trabalhar rápido, ou os jogadores de boliche gritariam com você: ‘Ei, mexa-se!”
O trabalho exigia reflexos rápidos e agilidade para acompanhar o ritmo do jogo.
5. Leiteiro

Antes de existirem lugares para manter qualquer coisa fria por um longo período de tempo, especialmente por noites a fio, havia o leiteiro para trazer leite diariamente (ou em dias alternados), antes que ele estragasse.
Bem, isso e ser o culpado por centenas de filhos ilegítimos em todo o país. Na década de 1920, a maioria das pessoas recebia leite diretamente em casa.

Em 2005, apenas 0,4% dos consumidores de leite obtiveram seu leite dessa forma, embora, como alguns supermercados oferecem entrega em domicílio, estamos observando um aumento na entrega de leite novamente.
6. Despertador humano

Durante a Revolução Industrial, surgiu uma profissão bem curiosa: a do acordador profissional, também chamado de despertador humano.
Esse trabalhador era comum em países como Holanda, Grã-Bretanha e Irlanda, e tinha uma missão simples, mas essencial: acordar as pessoas na hora certa para que não chegassem atrasadas ao trabalho — principalmente em fábricas, onde o horário era rígido e a pontualidade era vital.
Naquela época, os despertadores eram caros, difíceis de encontrar e nem sempre funcionavam direito. Por isso, esses profissionais batiam nas janelas com longas varas, bengalas ou até atirando ervilhas com canudos, tudo para garantir que o cliente acordasse.
Apesar de parecer coisa do século XIX, essa profissão ainda existia em algumas regiões industriais da Inglaterra até o começo dos anos 1970. Com o avanço da tecnologia e a popularização dos relógios despertadores, ela acabou desaparecendo — mas continua sendo uma lembrança curiosa de como a rotina das pessoas dependia de soluções bem criativas.

Para acordar seus clientes, os batedores — como eram chamados esses despertadores humanos — usavam um cassetete ou uma vara curta e pesada para bater nas portas das casas.
Mas nem todo mundo morava no térreo. Para alcançar as janelas dos andares mais altos, eles improvisavam: usavam varas compridas e leves, muitas vezes feitas de bambu, para dar batidinhas nas janelas e garantir que ninguém perdesse a hora.
Tem até uma foto famosa tirada em 1931 pelo fotógrafo John Topham, que mostra um desses acordadores no leste de Londres usando algo inusitado: uma espingarda carregada com ervilhas secas para atingir as janelas dos andares altos — uma solução criativa (e um pouco barulhenta!) que mostra como essa profissão exigia engenhosidade.
7. Cortador de gelo

Até o início do século XX, o gelo era extraído principalmente de forma natural, cortando lagos congelados, o que tornava o corte de gelo uma ocupação exigente e gélida.
Enquanto civilizações antigas como as da Grécia, Roma, Pérsia e China armazenavam gelo coletado durante o inverno para uso nos meses mais quentes, a indústria de corte de gelo realmente se expandiu no início do século XIX.

Os cortadores de gelo localizariam áreas de gelo espesso em corpos de água congelados, cortariam grandes blocos da superfície e os transportariam para instalações de armazenamento para distribuição posterior.
No entanto, à medida que a refrigeração e outras tecnologias de resfriamento melhoraram, a demanda por corte manual de gelo diminuiu gradualmente, tornando a profissão obsoleta.
8. Caçador de Ratos

Na Europa, controlar a população de ratos era essencial para evitar a propagação de doenças, principalmente a Peste Negra, e para proteger os suprimentos de alimentos da contaminação e dos danos.
Os caçadores de ratos tradicionais frequentemente capturavam ratos manualmente ou empregavam “caçadores de ratos”, animais treinados ou naturalmente adeptos à caça de roedores. Eles também utilizavam vários tipos de armadilhas para controlar infestações.
As abordagens modernas para o controle de ratos evoluíram e agora incluem uma série de técnicas, como colocar armadilhas, usar iscas envenenadas, introduzir predadores naturais e empregar máquinas de fumaça.
9. Transportador de Toras

O transporte de toras era uma etapa essencial na produção de madeira, principalmente em regiões remotas e cobertas de floresta.
Em locais onde o inverno era rigoroso e a neve caía pesada, esse trabalho começava ainda no outono. Uma pequena equipe subia o rio carregando ferramentas e suprimentos para abrir caminho na mata e montar um acampamento improvisado.
Com a chegada do inverno e o solo completamente congelado, um grupo maior de trabalhadores se juntava à operação para iniciar o corte das árvores. Os troncos — geralmente cortados em pedaços de cerca de 5 metros — eram levados por bois ou cavalos por trilhas geladas até as margens do rio, onde eram empilhados em rampas chamadas “rollways”.
Mas era na primavera que o espetáculo começava. Com o derretimento da neve e a elevação dos níveis dos rios, essas toras eram lançadas na água para seguir seu caminho correnteza abaixo.
Para garantir que tudo fluísse bem, entravam em cena os “motoristas de troncos”, também conhecidos como “porcos do rio”. Esses profissionais precisavam de equilíbrio, força e muita coragem: eles caminhavam sobre os troncos em movimento, usando bastões com pontas metálicas para guiar e destravar toras presas nos congestionamentos.

Há registros impressionantes, como uma foto tirada em 1951 em Carrick Pitch, que mostra esses motoristas trabalhando no meio de um emaranhado de toras no rio — uma verdadeira dança sobre madeira em águas agitadas.
Esses empregos quase desaparecidos fazem parte de um mundo que já não existe mais, mas que ajudou a construir boa parte da infraestrutura que temos hoje.
10. Operadoras telefônica

À medida que o telefone cresceu em popularidade e começou a superar o telégrafo, os telegrafistas foram gradualmente substituídos por operadores de mesa telefônica.
Esses operadores conectavam manualmente os chamadores às linhas telefônicas desejadas. Originalmente, essa função era preenchida por adolescentes, mas seus maus modos levaram a uma mudança nas práticas de contratação.
Foi sugerido que as mulheres poderiam ser mais adequadas para o trabalho, levando a uma mudança no setor.

Emma Nutt é amplamente reconhecida como a primeira telefonista, tendo começado seu trabalho em 1878. Ela ganhava US$ 10 por mês trabalhando 54 horas por semana.
Eles foram gradualmente eliminados e substituídos por sistemas automatizados, primeiro aqueles que permitiam discagem direta dentro de uma área local, depois para discagem direta de longa distância e internacional.
11. Ressurreicionista

As universidades exigiam cadáveres para fins educacionais, mas obtê-los legalmente era desafiador e custoso. Como resultado, alguns indivíduos recorreram ao sequestro de corpos como solução.
Conhecidos como ressurreicionistas, esses ladrões de corpos eram frequentemente empregados por anatomistas no Reino Unido durante os séculos XVIII e XIX para exumar corpos recentemente enterrados para pesquisas médicas.
De 1506 a 1752, apenas um número limitado de cadáveres estava disponível a cada ano para estudo anatômico, aumentando a demanda por aquisição ilegal de corpos.
Os ressuscitadores enfrentavam riscos significativos, incluindo a ameaça de violência física se fossem pegos em flagrante.
Para deter esses ladrões de túmulos, várias medidas foram implementadas. O aumento da segurança nos cemitérios tornou-se comum, com guardas noturnos patrulhando os locais de sepultamento.
Os ricos às vezes guardavam os restos mortais de seus entes queridos em caixões fortificados, enquanto outros usavam barreiras físicas, como cofres mortuários ou pesadas lajes de pedra, para dificultar a remoção dos cadáveres.
12. Ouvinte de aeronaves

Antes da invenção do radar, as forças militares ainda precisavam de uma maneira de detectar a aproximação de aeronaves inimigas. Essa necessidade levou ao desenvolvimento da função de ouvinte de aeronaves.
Na Grã-Bretanha, grandes espelhos acústicos foram empregados para amplificar o som e ajudar a localizar a direção dos aviões que se aproximavam.
Alguns desses espelhos acústicos históricos ainda estão de pé hoje e até foram restaurados como parte da preservação de seu legado.
Enquanto isso, no Japão, os militares utilizavam “tubas de guerra”, grandes dispositivos semelhantes a cornetas que funcionavam de forma semelhante, focalizando e amplificando o som dos motores das aeronaves para fornecer alertas antecipados de ameaças que se aproximavam.
13. Computadores Humanos

Aqueles que assistiram a Estrelas Além do Tempo provavelmente já estão familiarizados com o conceito de “computadores humanos” — indivíduos empregados para realizar cálculos matemáticos manualmente.
Um dos primeiros exemplos notáveis de computação humana remonta a 1757, quando o matemático francês Alexis-Claude Clairaut convocou uma equipe para ajudar a prever o aparecimento do Cometa Halley.
Embora o advento da computação de máquina tenha gradualmente reduzido a dependência de computadores humanos, foi somente na década de 1970 que as máquinas os substituíram completamente.
Durante as duas Guerras Mundiais, os computadores humanos desempenharam um papel essencial na execução de cálculos complexos, dando suporte a tudo, desde balística até criptografia.
14. Balconista de Refrigerantes

A partir do século XIX, uma figura começou a fazer parte do cotidiano dos americanos e se tornou um verdadeiro símbolo cultural: o balconista de refrigerantes, conhecido nos Estados Unidos como soda jerk.
Esses profissionais trabalhavam atrás do balcão das populares fontes de refrigerantes, preparando bebidas como milkshakes, maltes, sundaes e os refrigerantes artesanais da época, que eram feitos na hora, com xaropes e água gaseificada.
No início dessa era, antes da regulamentação de substâncias como a cocaína (que só passou a ser controlada em 1914), era comum que esses refrigerantes contivessem misturas de cocaína e cafeína — sim, era exatamente isso que tornava essas bebidas tão “revigorantes”. Com o tempo, a cocaína foi retirada das receitas, mas a cultura dos refrigerantes seguiu firme.
Durante as décadas de 1930 e 1940, ser soda jerk era um emprego popular entre jovens. Estima-se que, nessa época, meio milhão de pessoas trabalhavam servindo refrigerantes nos Estados Unidos.
Além de preparar as bebidas, o soda jerk era conhecido pelo seu carisma, rapidez e até por fazer pequenos malabarismos com copos e colheres — o atendimento era quase um espetáculo à parte.
Mas com o tempo, tudo isso foi perdendo espaço. A ascensão dos restaurantes fast food, dos drive-ins e das grandes redes acabou levando ao declínio dessas tradicionais fontes de refrigerante. Assim, o balconista de refrigerantes foi sendo deixado para trás, se tornando apenas mais uma das muitas profissões que desapareceram com a modernização do consumo.
15. Coletor de esgoto noturno

Antes da criação de sistemas modernos de esgoto, existia uma profissão essencial, mas nada glamourosa: a do coletor de esgoto noturno — também chamados de jakes-farmers em algumas regiões de língua inglesa.
Esses trabalhadores tinham a tarefa ingrata (e muitas vezes invisível) de esvaziar os banheiros das casas em áreas sem encanamento ou descarga — normalmente à noite, quando o cheiro e o risco de exposição eram menores.
Sem uma rede de esgoto, o acúmulo de resíduos humanos era um problema sério para a saúde pública. Esses coletores percorriam ruas escuras e becos para remover manualmente o conteúdo das chamadas “casas de alvenaria” ou privadas secas, geralmente transportando tudo em baldes ou carroças.
Foi só a partir de meados do século XIX, com o avanço dos sistemas de esgoto nos Estados Unidos e na Europa, que esse tipo de trabalho começou a desaparecer. A urbanização, junto com novas tecnologias de saneamento, transformou completamente o modo como as cidades lidavam com seus dejetos.
Mesmo assim, esses profissionais — por mais invisíveis que fossem — foram fundamentais para a saúde das cidades por muito tempo, ajudando a conter doenças e mantendo as ruas minimamente limpas até a chegada do encanamento moderno.
16. Telegrafista

Um telegrafista era responsável por operar um telégrafo para transmitir mensagens entre remetentes e destinatários.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Marinha Real dependia muito de voluntários para servir como radiotelegrafistas.
Esses indivíduos foram vitais para a comunicação marítima nos primeiros dias da telegrafia sem fio.
Muitos jovens foram recrutados para servir como operadores profissionais de radiotelégrafo, uma função que lhes rendeu status de oficiais bem pagos a bordo de navios devido à sua importância e natureza especializada.
17. Operador de Linotipo — os artesãos do texto impresso

Antes dos computadores e impressoras digitais, a produção de jornais era um verdadeiro trabalho de precisão — e uma das maiores revoluções nesse processo foi a invenção da máquina linotipo, no final do século XIX.
Essa engenhoca incrível automatizou a composição de textos e criou uma nova profissão essencial na indústria gráfica: o operador de linotipo.
A máquina funcionava como uma espécie de teclado mecânico. Conforme o operador digitava, moldes metálicos com as letras do alfabeto (chamados de matrizes) eram alinhados em uma linha. Depois, essa linha era preenchida com metal quente, criando um bloco sólido com o texto — como um carimbo em alto-relevo.
Essas “linhas de metal” eram então organizadas para montar as páginas inteiras dos jornais, que podiam ser impressas com muito mais rapidez do que os antigos métodos manuais.
Mas não era um trabalho simples. A precisão era tudo: um erro de digitação virava um erro impresso em milhares de exemplares. Por isso, o operador precisava ser rápido, atento e altamente técnico.
Com o passar do tempo, a linotipo foi sendo substituída por tecnologias mais modernas, e os operadores — que já foram peças-chave na imprensa mundial — foram aos poucos desaparecendo das redações.
18. Trocador de bobinas — o duro trabalho infantil nas fábricas têxteis

No auge da Revolução Industrial, especialmente nos Estados Unidos, crianças eram comumente empregadas em fábricas têxteis, muitas vezes iniciando suas jornadas de trabalho ainda muito novas.
Uma das funções mais comuns era a de trocador de bobinas — pequenos trabalhadores responsáveis por substituir as bobinas de linha das máquinas de fiar quando se esvaziavam. Outros varriam o chão, limpavam fiapos de algodão ou ajudavam em tarefas menores até, quem sabe, conseguirem subir de função e se tornarem fiandeiros.
Mas por trás dessa rotina havia um cenário de exploração e perigos constantes. As máquinas não paravam, e qualquer descuido podia resultar em ferimentos graves — ou até mortes. Além disso, as crianças respiravam pó de algodão durante horas seguidas, o que aumentava os riscos de doenças respiratórias e outros problemas de saúde.
Foi só na década de 1930 que leis federais começaram a ser criadas para proteger as crianças do trabalho infantil em ambientes como esse, marcando o início de uma mudança importante nos direitos trabalhistas.
A história desses jovens trocadores de bobinas é um lembrete duro de como já foi a vida de muitas crianças — e de como a luta por direitos básicos nem sempre foi garantida.
19. Frenologistas — quando se acreditava que o formato do crânio revelava a personalidade

Uma das profissões mais intrigantes, porém obsoletas, no campo da medicina era a de frenologista.
Durante o século XIX, uma prática curiosa (e hoje completamente desacreditada) ganhou popularidade: a frenologia. Seus praticantes, conhecidos como frenologistas, acreditavam que era possível descobrir o caráter, a inteligência e até os talentos de uma pessoa apenas analisando o formato do seu crânio e as saliências da cabeça.
A ideia era que diferentes regiões do cérebro controlavam características específicas da personalidade, e que o tamanho dessas áreas podia ser detectado através do relevo do crânio. Embora parecesse “científico” na época, hoje sabemos que a frenologia era uma pseudociência, sem base real.
Mais do que apenas bizarra, essa prática acabou sendo usada de maneira perversa. Teorias frenológicas foram apropriadas por racistas, que tentaram justificar falsas ideias de superioridade racial com base em supostas diferenças cranianas entre brancos e pessoas de outras etnias. Tudo isso sem qualquer evidência científica.
A frenologia foi amplamente desacreditada no final do século XIX, mas sua história serve como alerta de como conceitos errados, quando mascarados de ciência, podem ser usados para justificar injustiças e preconceitos.
(Crédito da foto: RHP / Biblioteca do Congresso Americano / Wikimedia Commons).