Um conflito brutal da Guerra Fria que transformou o Afeganistão e contribuiu para o colapso da União Soviética.
Um helicóptero de combate afegão voa baixo por um vale nevado na estrada de Salang, dando cobertura a um comboio soviético que transportava comida e combustível para Cabul em 30 de janeiro de 1989. Poucos minutos depois, o comboio foi emboscado por combatentes mujahidin armados com lança-foguetes.

Tropas do governo afegão responderam com artilharia pesada. Esta cena resume a dura realidade da Guerra Soviética no Afeganistão — um conflito que durou quase uma década e deixou cicatrizes profundas no país e na União Soviética.
O que foi a Guerra Soviética no Afeganistão?

A Guerra Soviética no Afeganistão (1979–1989) foi um conflito de proxy (por procuração) da Guerra Fria que opôs a União Soviética e o governo comunista afegão a uma insurgência fragmentada, mas determinada, composta por combatentes mujahidin.

Enquanto os soviéticos apoiavam o Partido Democrático Popular do Afeganistão (PDPA), os rebeldes — profundamente anticomunistas e, muitas vezes, islamistas — recebiam apoio dos Estados Unidos, Paquistão, Arábia Saudita, China e outros países.
Por que a União Soviética invadiu o Afeganistão?

O motivo imediato da invasão soviética foi a instabilidade política causada pela Revolução de Saur e pelas disputas internas em Cabul. Mas o contexto geopolítico mais amplo foi decisivo. Em 1979, a URSS sentia-se cercada por potências hostis:
- Forças da OTAN na Europa Ocidental e na Turquia;
- Ameaça crescente da China, com quem já havia rompido relações;
- O Irã, recém-radicalizado pela Revolução Islâmica e abertamente anticomunista;
- O Paquistão, aliado dos EUA e financiador de islamistas afegãos.
O Afeganistão era o último tampão estratégico na fronteira sul da URSS. Temendo que o país caísse na esfera de influência ocidental — e até hospedasse bases de mísseis dos EUA — o Kremlin decidiu intervir.
Principais Momentos e Imagens da Guerra Soviético-Afegã

1. A ascensão do comunismo em Cabul
Em 1978, o presidente Daoud Khan foi deposto e assassinado por oficiais comunistas ligados a Nur Muhammad Taraki, líder do PDPA. Taraki implementou reformas radicais, como redistribuição de terras e ampliação dos direitos das mulheres. Essas medidas desagradaram profundamente a população conservadora, provocando rebeliões em várias regiões do país.
Os soviéticos desconfiavam dos excessos de Taraki, mas a situação piorou quando ele foi morto por Hafizullah Amin, um ex-aliado. Temendo que Amin se aproximasse da CIA, a URSS lançou a Operação Tempestade-333, matando Amin e colocando Babrak Karmal no poder como líder fantoche.

2. A resistência Mujahidin
A insurgência ganhou força rapidamente. Os combatentes usavam táticas de guerrilha e conheciam bem o terreno montanhoso. O movimento atraiu também estrangeiros — os chamados “Árabes afegãos” — e foi financiado principalmente pela CIA, através da Operação Ciclone, via ISI do Paquistão.
A chegada dos mísseis Stinger dos EUA em 1986 mudou o jogo, permitindo que os mujahidin derrubassem aeronaves soviéticas com facilidade devastadora.

3. Táticas soviéticas e o êxodo civil
Mesmo com mais de 100 mil soldados no Afeganistão, os soviéticos não conseguiram controlar o interior do país. Frustrados, recorreram a táticas brutais: bombardeios de vilarejos, destruição de plantações e campos minados — tudo para cortar o apoio popular aos rebeldes.
O resultado foi desastroso: o Afeganistão viveu uma das maiores crises de refugiados do século XX. Em 1982, mais de 4 milhões de afegãos haviam fugido para o Paquistão e Irã.

4. O impasse e a retirada soviética
Apesar da resistência feroz, os mujahidin estavam divididos internamente. Mas a URSS estava sangrando em homens, dinheiro e moral. Em casa, a guerra tornava-se cada vez mais impopular.
Em 1986, Mikhail Gorbachev chamou o conflito de “ferida sangrenta”. Em fevereiro de 1989, os últimos soldados soviéticos deixaram o Afeganistão — uma retirada humilhante que antecipou o fim da União Soviética dois anos depois.

O Legado da Guerra Soviético-Afegã
- Cerca de 1 milhão de afegãos morreram durante o conflito.
- Mais de 15 mil soldados soviéticos foram mortos, com dezenas de milhares feridos ou traumatizados.
- A guerra desestabilizou ainda mais o Afeganistão, criando um vácuo de poder que favoreceu a ascensão do Talibã nos anos 1990.
- O conflito também radicalizou combatentes do mundo islâmico — incluindo um jovem saudita chamado Osama bin Laden.

A Guerra Soviética no Afeganistão foi um divisor de águas na geopolítica moderna — um confronto da Guerra Fria, uma tragédia humanitária e o ponto de origem de muitos conflitos atuais na região. Através dessas fotos históricas raras, testemunhamos uma década de sofrimento, resistência e interferência global que moldou o futuro do Afeganistão e do império soviético.































(Crédito da foto: AP Photo / Biblioteca do Congresso / Arquivos Russos).